quinta-feira, 15 de setembro de 2011

BRIGAS DO BEM E DO MAL

          Os conflitos entre casais são vistos como negativos no olhar comum; no entanto, não existe um relacionamento de amor sem brigas. Quando amamos alguém, esperamos muito deste alguém, nós idealizamos o objeto de nosso amor e quando ele nos desaponta , vem a raiva que traz a briga como consequência.  Porisso, costumo dizer que quando o casal não briga por mais nada, aí sim, é que está ruim.  Ou quando brigam, brigam e acabam a briga mais magoados ainda_ o que sinaliza que o relacionamento já está desgastado. Não existe mais.
          A briga do bem, pelo contrário, é sadia e construtiva. Abre espaço para cada um falar de seus sentimentos e expor seus pensamentos e sua percepção do problema para, no final, tirarem uma conclusão e uma vontade em rever posturas e ações para a melhora da relação. Ambos crescem.
          A vida em comum oferece muitos motivos de conflitos. Afinal, por mais que haja identificação entre o casal, são duas pessoas de valores familiares diferentes, com suas manias, carências, expectativas, ilusões, fantasias e modo de encarar o mundo que, consequentemente, vão provocar algumas desavenças. Mas, sobretudo, é preciso preservar o respeito para a relação não perder o sentido e restar numa relação magoada e triste. Aí, a briga pode ser neurótica e perversa. É perversa também quando um dos parceiros ataca o outro justamente no seu ponto mais sensível, no sentido de fragilizá-lo, as vezes, utilizando-se de sutilezas e fraquezas confessadas num momento de entrega e confiança extremada. Isto é revoltante e o outro vai, para sempre, se fechar. Cuidado!
          As desavenças devem ser colocadas , clara e amorosamente, sem subtextos ou meias palavras. As vezes, o  casal briga por uma coisa, mas, esta coisa aparece camuflada. Mascarada. Por exemplo: determinado casal brigava porque a mãe da mulher continuava sendo uma pessoa muito presente na casa do casal. A esposa não decidia nada sem a “ordem” da mãe _ continuava sendo uma filha obediente, costumo dizer. O marido não gostava disto; desta presença indireta e tirânica da sogra em sua casa, mas, esta desavença  aparecia por meio de portas batendo forte e cara amarrada.  Na briga construtiva, o marido teria a coragem amorosa  de sinalizar para a mulher o quanto ela ainda dependia do consentimento da mãe e a filha, assim despertada, teria condições de ver isto de frente, crescer e estar pronta para a independência. Mas, não! A briga com subtextos ( portas batendo)  traz raivas, ressentimentos e solidão; mais necessidade a filha sente em se apegar ã mãe; mais dependência neurótica. Percebem!     
          Por outro lado, na briga sadia o outro propicia um tempo para o cônjuge crescer. É a sabedoria do sinalizar amorosamente e esperar que o outro elabore, chegue às suas conclusões e possa adotar aquilo como seu. Só pelo convencimento próprio é que internalizamos e adotamos ações diferentes. Temos que nos sentir autores; não repetidores, por coação ou medo, de quaisquer ações. Brigue sadiamente!  


         

A Vaidade

Se alguém nos diz: “ Fulana é vaidosa “, a associação  mais rápida que nos surge à mente é a imagem duma mulher toda arrumada , com roupas e sapatos de último estilo. No entanto, a vaidade não aparece só no físico. Uma pessoa simples pode estar canalizando sua vaidade em falar bem em público , outra pode a estar colocando em sua capacidade de seduzir massas , como no caso de um bom palestrante, por exemplo. Outro pode ser vaidoso em mandar - é o caso de pessoas que não admitem trabalhar para outros. Alguns se comprazem em estudar muito ou conhecer tudo em detalhes - são os vaidosos intelectuais.
          Tudo bem! Imaginemos então agora estar diante de uma pessoa tímida . A associação mais rápida que fazemos  é com a modéstia, não é? No entanto, “o tímido” pode ser um vaidoso também. Como é que é isso? É que esse nosso falso tímido na sua fantasia pode ser tão perfeccionista que não se permite falar ou expor sua opinião por medo de errar. Às vêzes, é também tão presunçoso em sua vaidade que acha que nada é importante o suficiente para merecer a sua fala. Daí seu ar empertigado e endurecido. Vemos ,então que, no campo da Psicologia, as generalizações com que classificamos as pessoas  têm que ser bem entendidas para sabermos a que corresponde exatamente.
          Num outro enfoque ainda, vemos que quando pensamos em vaidade, culturalmente , a associamos à mulher. No entanto, sabemos que no mundo animal são os machos que exibem sua plumagem colorida , desenvolvem cantos impressionantes e danças complexas - tudo com o intuito de atrair à fêmea para si. Aquele que mais a sensibilizar tem mais chances de com ela acasalar.
          A natureza fez a fêmea como o elemento difícil - o macho , a cada ejaculação expele milhares e milhares de espermatozóides ; já a mulher a cada mês amadurece apenas um óvulo pelo qual essas  milhares de sementes masculinas vão concorrer para ter a chance de se transformar em vida.
          Sendo difícil, é ela que, no reino animal, fica à espera , seleciona o melhor espécime que, presumivelmente,lhe dará o melhor filhote.
           Para o homem e a mulher o jogo natural deveria, a rigor, ser o mesmo? Se pensarmos que sim, deveremos pensar também sobre o quanto o ambiente, a ideologia e a cultura conseguiram reverter o quadro, transformando a vaidade de corpo como um artifício presumivelmente feminino. E o que foi feito com a vaidade do macho antigo? Essa foi transformada numa vaidade de poder ( carros bonitos, status, prestígio )
          Mas, a história caminha por saltos qualitativos e hoje , com o entendimento desses mecanismos e a liberalização de preconceitos , cada vez mais a cultura está permitindo ao homem que ele retome sua inata vaidade masculina.
          Assim , a vaidade, no mundo atual, se apresenta como um valor muito desejado para ambos os sexos. A cultura vem a tornando unisex. Andrógina .

ONETE RAMOS SANTIAGO -PSICÓLOGA

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A BIRRA E O CHILIQUE

A BIRRA E O CHILIQUE



          Quando vamos a um shopping, por exemplo, vemos crianças e pais passeando e comprando e, volta e meia, algum pai passando mal para controlar seu querido rebento que, simplesmente, está no maior e mais alto berreiro_ é a birra ou chilique. Normalmente, os pais ficam envergonhados_ não querem constranger ninguém com barulhos excessivos; têm medo do julgamento dos outros_ “o que será que eles estão pensando” e, quase sempre cedem à vontade da criança, prometendo em casa algum castigo ou conversa séria. O 1º erro já aconteceu_ ter cedido. Nesta hora, ser firme é essencial; ainda mais se você está convicto realmente de seu Não; se seu Não é um Não Justo, costumo dizer. A criança precisa desde cedo ir se habituando com certas frustrações que fazem parte da lei da vida. Nesses momentos, os pais precisam ser firmes, não importa como a cena pareça aos olhos dos outros. Digo mais:  Esta cena  poderá ser constrangedora, mas, será uma única. Agora, pais que não controlam logo esses chiliques, são sérios candidatos a chiliques próprios e a família vira uma família de chilicosos. Quer dizer: a criança dominou a cena, instituiu o comportamento na família e as coisas estão feias.
           É bom que os pais saibam que uma etapa de agressividade natural faz parte do desenvolvimento infantil entre os 2 e 3 anos de idade. É que a criança, na realidade, é igual a um bichinho_ quer estar o mais livre e solto possível e quaisquer limites apresentados, mexem com este instinto total para a liberdade que temos e que, infelizmente, a sociedade  boicota ao homem para poder se organizar. O bebê, a nível de sensação corporal, sente assim: “Este mundo está ficando chato e, então, reage, surgindo, como falávamos, algum nível de agressividade. 
          É aqui que o treino precisa começar com dosagens certas. É preciso saber respeitar essa agressividade nata da criança e, ao mesmo tempo, prepará-la para o domínio dela, a um nível aceitável pelo outro ser vivente a seu lado (pai, mãe, vizinhos, amiguinhos)
          Mas, o que fazer? A primeira  medida é não se desesperar_ controle-se, não o deixe sentir que a birra é um elemento de poder dele sobre você. Outra coisa: Na hora não adianta discursos , explicações ou racionalizações sobre o fato. O ideal é ignorar a birra ou até permiti-la: Então, por exemplo, se a criança está chorando em altos brados, diga: “É isto que você quer-chorar?. Então pode chorar, chore mais, anda, mas você não vai ganhar o brinquedo porque agora não é hora de ganhá-lo”, por exemplo. Garanto: A criança assim provocada para logo de chorar.
          Uma outra sugestão consiste em contê-la num abraço. A criança vai resistir no início, mas, o abraço firme e caloroso transmite-lhe a comunicação sub-textual de amor exigente, mas verdadeiro, que acalma a criança.
         Terminando: Chiliques, então, fazem parte da infância e bem enfrentados, passam tranquilamente,  elencando-se então,  como uma fase do crescimento emocional da criança.





terça-feira, 2 de agosto de 2011

A FAMÍLIA HERDADA PELO CASAMENTO





ONETE RAMOS SANTIAGO – PSICÓLOGA E PALESTRANTE  onetepsicologia@ig.com.br


Quando estamos apaixonados e decidimos casar com alguém, ganhamos um companheiro e herdamos toda uma família: a família do outro.
          Na realidade, a família do outro é o ninho de onde saiu este outro que hoje é meu; há ali afinidades, identificações  e vínculos. Durante longos anos, foi dali que ele (a) tirou todo o esteio afetivo, todas as dores foram ali sentidas e , quiçá, curadas, todas as alegrias, até então, foi ali que este outro usufrui.
          Então fica difícil se nós quisermos afastar o outro deste solo. De uma forma ou de outra, temos que, no casamento, incluir esta família. Com bom senso, respeito, conciliação e até perdão, se necessário for.
          Uns tiram a sorte grande (ou por mérito próprio) e a família do outro é uma fonte de novas amizades e novos relacionamentos gratificantes. Há simpatia entre a família herdada e nós, os valores são parecidos, os ambientes são semelhantes.
          Mas, e tem sempre um mas, por vezes, o idílio não é tão completo e, por mil razões, há desconfortos em estarmos com a família herdada. Nestes casos, mantenha-se o respeito, a educação e  a polidez. Se o entrosamento não é tão espontâneo, respeite-se os espaços. Com dignidade, sem troças e piadinhas.
          O vínculo atual que nosso companheiro (a) tem conosco não apaga nem substitui vínculos e afetos muito anteriores e importantes para ele (a). Vá construindo o Nós com seu companheiro (a) sem culpá-lo (a) pela família que ele (a) tem. Às vezes, o casal fica nesta guerra. Não diz nada diretamente para a família herdada, mas, despeja tudo no companheiro (a). Isto magoa profundamente. Dia desses, sugeri a uma pessoa que ela dissesse: “Não quero mais ouvir queixas e comentários grosseiros contra meus parentes. Você faça o seguinte: Diga diretamente para o Fulano.”
          O cônjuge chegou à conclusão do quanto usava a esposa como bode expiatório e, quando ela interrompe o papel, o outro vê a própria covardia.
          Mas, o importante de marcar é que cada casal encontre uma fórmula honesta, tolerante e consensual que poupe todos os vínculos.


sábado, 30 de julho de 2011

A Preguiça Adolescente



ONETE RAMOS SANTIAGO - PSICÓLOGA – PALESTRANTE – ESCRITORA
TEL.32286612 – CRP12/00507


          Olhemos os bichos na selva e pensemos no homem primitivo – havia uma preguiça natural no mundo. Eles só se movimentavam para buscar comida, para fugir do perigo ou para a procriação. No mais, não queriam nem saber. Não havia culpa, não havia obrigação em fazer.
          Aí, corre o tempo e, entre nós, humanos, inventa-se o trabalho, a riqueza, a concorrência, o stress. E a preguiça, entre nós, passou a ser vista como pecado. Aí, tivemos que posar de pessoas ocupadíssimas, com medo de sermos vistos de escanteio.
          Parece-me que só quem não tem mesmo medo de mostrá-la (e ficam iguais aos bichinhos da selva) são os nossos adolescentes. Só querem dormir, escutar som, navegar na Internet, comer e namorar). Estão no princípio do prazer, que nem os bichinhos.
          No mais, tudo é chato. “Daqui a pouco, mãe! Já vou, já vou!” – até a mãe esquecer e acabar fazendo mesmo a tarefa em questão.
          A Ciência Atual explica esta preguiça por conta de mudanças hormonais e psicológicas próprias da adolescência. O sono e o comer excessivo, por exemplos, são por conta dos picos hormonais sexuais e de crescimento. Já as mudanças psicológicas – desmotivação pelas coisas da casa, a centralização em si mesmo e nos amigos ficam por conta do próprio conceito de adolescência que em si significa: independer-se, tornar-se maior, crescer. O adolescente se independe de seus pais e das coisas de seus pais e passam a ver os amigos, as namoradas, as baladas e todos os movimentos juvenis como suas motivações maiores. Não gostam e não tem energia para nada que é da casa; mas, para resolver uma festa é para já.
          Depoimentos adolescentes falam desta preguiça: “Deixo para ir ao banheiro só quando estou muuuuito apertado”. Ou: “Já deixei de assistir á Tv porque não queria procurar o controle remoto”. Outra diz: “Às vezes,fico com tanta preguiça que, mesmo se estiver com fome, espero meu irmão ir à cozinha para me trazer alguma coisa”. Ufa!
          Mas, é assim mesmo! Costumo dizer:  Pais! Usem a mão de obra infantil (quando eles adoram nos ajudar) porque, adolescentes ficam preguiçosos mesmo e nos deixam.
          No mais, só uma leve e compreensível intervenção para saber se tanta preguiça não está escondendo uma timidez ou uma insegurança fora do padrão que estejam prendendo o adolescente dentro de casa (ou alguma perda, término de um namoro, algum problema com sua auto-estima) e temos que deixar este período passar. Controlá-la um pouco; lógico, porque pais também não são empregados dos filhos, mas, se pouparem de pedir muito para não se frustrarem – é o remédio.





sexta-feira, 29 de julho de 2011

O FLAGELO DAS DROGAS

          A morte de Amy Winehouse traz á discussão,novamente, o flagelo das drogas.
          Sou testemunha profissional de quanta miséria humana as drogas provocam. Vejo, principalmente, as mães em busca de socorro para seus filhos; sem saber mais o que fazer; impotentes e infelizes, mostrando o quanto as drogas devastam não só seus usuários e dependentes, fazendo-os trapos humanos reduzidos, mas devastam toda uma família; pais e mães que se desestruturam junto e se desesperam com a visão de seus filhos, perdendo saúde física e mental, perdendo sua juventude e tempo, seus planos presentes e futuros e as economias( às vezes, precárias) da família inteira.
Uma pesquisa  da Fundação Osvaldo Cruz revela, atualmente, um milhão de viciados em crack no Brasil. Antigamente, restrito a grandes capitais com seus mendigos e moradores de rua, deitados em suas calçadas e em suas Cracolândias; hoje está espalhado praticamente em todos os recantos do país e em todas as classes.
Nos hospitais e clínicas de recuperação, os médicos  também testemunham esta escalada do mal entre as classes mais altas.
Os relatos de pais são aterradores: pais que recebem seus filhos depois de vários dias desaparecidos, totalmente rasgados, adoentados, machucados por brigas que a noite traz, prostituídos, muitas vezes. Droga, violência, sexo e prostituição, andam juntos. Sem dinheiro para a próxima tragada ou a próxima cheirada (crack é fumado, cocaína é aspirada) ; enlouquecidos por ela (há várias reações psicóticas no usuário) , o primeiro passo é o roubo ou o assalto para conseguir dinheiro para a compra. Primeiro roubam da família (roupas, objetos, jóias, dinheiro começam a sumir, sem explicação) ; depois passam mesmo para o roubo com assalto a mão armada ou a prostituição. E vão achando tudo natural.
E esta escalada se dá em pouco tempo. Vejo famílias completamente divididas entre dar dinheiro para seu filho para a compra ou não dar; por exemplo. Ou, pais que saem de casa, deixando a mãe sozinha com o problema e sem saber como “curar” aquele filho. Sentem muito medo, dor, culpa e vergonha. Medo de que se não der o dinheiro, o filho possa estar correndo risco de vida e se der, estar financiando a degradação. Perguntam-se onde erraram, sua vida se reduz pela dor que chega a ser física. Ademais, os irmãos  brigam entre si – alguns se apóiam e ajudam; outros, revoltados, se insurgem contra o usuário e os pais, desestabilizando mais ainda toda a família.
Depois, tem a internação; muitas vezes, forçada e contra a vontade do drogado; pais que vêm seus filhos serem imobilizados ou sedados para serem levados como criminosos porque a droga já danificou todo o senso de realidade e julgamento correto das coisas. As drogas já danificaram seu cérebro, não há mais responsabilidade, seu comportamento é agressivo e irresponsável e, sua saúde, muitas vezes, já está precária: doenças psiquiátricas, cardíacas e respiratórias são comuns pela agressão que a droga causa (rapidamente) ao pulmão, coração e cérebro.
E os pais se perguntam: “Onde está meu filho, onde está meu menino” –como já ouvi uma mãe a falar, desesperada, vendo aquele homem irreconhecível sendo levado ao hospital.   

sábado, 23 de abril de 2011

A Internet é um bicho-papão?

A INTERNET É UM BICHO-PAPÃO?


          Parece-me que a sociedade sempre teve necessidade de eleger um bicho-papão e o da
vez agora é a Internet.
          Foi assim também com a TV. Os pais antigos debitaram à tv toda a precocidade infantil e toda a malcriação dos filhos. Debitaram a ela também o sexo antecipado e a queda da moral. Diziam que a novela tal deveria passar mais tarde porque tinha cenas de sexo ou  tal programa humorístico deveria receber vetos pela ousadia do texto ou coisa que o valha. Hoje, “aliviou-se” a queixa contra a Tv. Encontrou-se outro bode expiatório: a Internet.
          Dizem que a Internet é mais difícil de controlar porque  fica no quarto dos filhos e não na sala da família, porque os filhos conhecem muito mais de Internet do que os próprios pais e porque a Internet abre a porta da casa ao mundo todo. Contatos com desconhecidos, vídeos e fotos, tudo é possível através dela. Novamente a pergunta:  Onde fica a verdade de tudo isto? Onde fica o equilíbrio?
          Na realidade, há um uso benéfico e um maléfico da Internet, mas, se formos ver, a meninada faz o uso benéfico: games, contatos com seus amigos, pesquisas escolares, música. Claro que, vez por outra, como já ocorreu, há o risco de estranhos fazerem contato com nossos filhos, expô-los a textos ou fotos pornográficos a até fazer- lhes propostas sexuais, mas, isto corresponde à metáfora do trigo e do joio. Não é pela existência do joio que o trigo deixa de florescer e produzir seu fruto que nos alimenta e sacia.
          Por outro lado, outras teses mais antigas ainda falavam que televisão, computador, telefone celular,etc atrasavam o desenvolvimento infantil.
          Diziam que as crianças não liam mais e só queriam videogames e, estes, nada tinham de bom, que os estudos estavam ficando para trás porque as crianças varavam madrugadas no computador, etc, etc.
          Hoje, ao contrário do que apregoavam “os contra”, está provado que a tecnologia tem servido para deixar nossas crianças mais inteligentes e ágeis.
          Estudos recentes têm avaliado o uso saudável da tecnologia como um fator positivo para crianças e adolescentes no sentido de um melhor processamento de informações, uma melhor capacidade dedutiva e lógica; enfim, um melhor raciocínio geral, em comparação com gerações anteriores criadas sem estes aparatos.
          No livro: Surpreendente! A Televisão e o Videogame Nos Tornam Mais Inteligentes, o escritor americano Steven Johnson, defende a tese de que “embora o conteúdo do entretenimento, do modo geral, continue pífio, se comparado à informação fornecida pelos livros, a forma como este conteúdo é elaborado hoje puxa muito mais pela cabeça das crianças do que as diversões de antigamente. Os seriados de Tv e os filmes infanto-juvenis que antes tinham enredo simples e poucos personagens; agora trazem histórias elaboradas, cheias de tramas paralelas e com vários protagonistas. Os videogames apresentam uma série interminável de desafios ao jogador – para alcançar os objetivos do jogo, a criança é obrigada a todo instante a avaliar e organizar as informações disponíveis, priorizá-las e, baseadas nelas, tomar decisões estratégicas de curto ou longo prazo. Por esta ótica, continua o autor, a diversão hoje disponível para crianças e jovens, seria como uma ginástica para o cérebro”.
Os pesquisadores têm quantificado tudo  isto objetivamente e atestam que o Q.I.médio das populações têm se elevado em todo o mundo.
          Ademais, não é preciso ser pesquisador para notar isto. A frase: Estas crianças de hoje estão mais espertas é expressão corriqueira entre todos. Todos notamos a melhora na capacidade visual, na noção espacial, na coordenação motora, etc, desta meninada.
          Indo para a área do emprego, também as empresas têm preferido funcionários que mostrem raciocínio lógico, iniciativa e praticidade nas decisões; qualidades que os videogames  ajudam a desenvolver.
          Também o sociólogo americano John Beck conclui em seu livro: Como a Geração Videogame esta Mudando o Mundo dos Negócios Para Sempre que “crianças que haviam jogado videogame intensamente durante a infância e adolescência mostravam mais iniciativa e mais disposição para assumir riscos do que as outras e eram mais ágeis ao definir objetivos e encontrar soluções para as dificuldades do dia a dia no escritório”.
          Neste sentido, a Educação Moderna vem ajustando, sua Pedagogia e seu Agir, juntando ao ensino formal, que é insubstituível, este amplo arsenal tecnológico. À família, cabe o apoio à escola e a orientação às crianças sobre o uso seguro da Internet.
 O estabelecimento de uma base sadia é o que vai estruturá-los fortes para saber dos perigos reais que sempre aparecem na vida de qualquer um de nós. Disto ninguém escapa. O mal e o bem são atinentes à vida.

segunda-feira, 18 de abril de 2011


                            SUPERLIGA E HOMOSSEXUALIDADE


          ONETE RAMOS SANTIAGO –PSICÓLOGA – CRP12/00507


          Gostei da resposta da torcida do Volei do Futuro da Superliga sobre o episódio havido com seu jogador Michael (parece-me) quando de um dos últimos jogos dos quais ele participou: muita roupa e adereços cor de rosa com seu nome; lá estavam muitos contra  o preconceito contra a homossexualidade.
          Gostei, sobretudo, porque a homossexualidade existe, é um fato humano e o homossexual, antes de tudo, é apenas um Ser Humano querendo viver, como qualquer Ser Humano.
          Gostei, sobretudo, porque ser homossexual é apenas uma faceta do Ser Pessoa de alguém; este alguém é também, e conjuntamente, um irmão amoroso, um filho, um amigo leal, um profissional, um aluno brilhante, um homem que sofre, que vive e labuta a sua vida, que é infeliz ou feliz; um ser vivente, enfim.
          Gostei, sobretudo, porque ninguém tem o direito de julgar ninguém e ninguém escolhe ser homo ou heterossexual. A homossexualidade e a heterossexualidade acontecem na NATUREZA; acontece no Reino Animal, dito Racional e dito Irracional como nossos bichinhos. Acontece com cachorros, gatos, nossos bichos da selva...
          E gostei, sobretudo, porque, naquele momento aquele ser humano estava se apresentando como o profissional que é, e, como tal, merecia respeito. Porque respeitava a todos e vivenciava o seu papel, simplesmente e naturalmente. Pontos para ele!
          Agora, Movimentos Gay de exposição acentuada e escrachada, no meu entender, depõem contra eles mesmos e só sobrevivem ainda porque, cada movimento inicial tem uma polaridade de força contrária. Uma pena!
          Mas, com o tempo, as coisas chegam ao seu centro justo, estável e equilibrado. O episódio da torcida de voley foi um bom exemplo disto.
  



sábado, 16 de abril de 2011

bullyng e esquizofrenia

BULLYNG E ESQUIZOFRENIA


ONETE RAMOS SANTIAGO –PSICÓLOGA - CRP 12/00507



O recente vídeo de Wellington de Oliveira divulgado pela imprensa e todo o histórico de vida apurado do infeliz moço que matou tantas crianças de uma escola carioca, falam e remetem ao bullyng sofrido por ele quando estudante.
As pessoas, percebo, estão em dúvida: o bullyng levaria  a estes comportamentos extremados?
Bom; o bullyng, ou quaisquer comportamentos agressivos nunca serão desejados, mas, não é por débito exclusivo do bullyng que uma pessoa vá sair por aí, matando inocentes. Houve, no caso, uma conjuntura infeliz de causas para que este resultado lamentável se apresentasse.
Os indícios todos apontam, principalmente, para uma grave deterioração de personalidade trazida pela esquizofrenia paranóide na qual as pessoas perdem o contato com a realidade e são vítimas de delírios e alucinações que os levam a atos extremados. Nos delírios, o esquizofrênico pensa que alguém o está perseguindo, que alguém está mandando ele fazer alguma coisa, que ele teria alguma missão a executar. Já na alucinação (mais grave), a pessoa não só pensa, mas, já vê aquela pessoa o perseguindo; ninguém mais ao seu redor está vendo, mas, ele aponta a pessoa: “ Ali, olhem, a pessoa está ali”.
Some-se a este quadro, uma pessoa que sofreu bullyng, que vivia sozinha, sem nenhum cuidado, que tinha antecedentes genéticos de distúrbios psiquiátricos e que tinha, ele próprio, distúrbios psiquiátricos graves.
Também, nem toda pessoa com distúrbios psiquiátricos graves vai ter  um comportamento assim extremado, como o que se viu pela televisão. O comportamento psicótico (assim como qualquer comportamento normal) é fruto de um conjunto emocional agregado, de um  enredo de vida com percalços, alegrias, tristezas, conflitos e frustrações, reforços positivos e negativos e de nossa genética e hereditariedade e de como decodificamos isto em nossos cérebros (mais saudáveis ou menos saudáveis)
No cérebro saudável e normal, com certeza, a pessoa passou e passa pelas cicatrizes que a vida ofereceu ou oferece; mas tem a capacidade de, de uma forma ou de outra, “curar” estas cicatrizes e tocar a sua vida. Já o cérebro doente não teria a capacidade de “cura” desta Criança Carente que todos temos.
Pelo contrário! O cérebro doente, por vezes, vai ficar mais doente ainda, fixado em algum modelo visto, paralisado em alguma idéia. É o que se chama surto, a grosso modo.
E o resultado, infelizmente, é este que testemunhamos, hoje. E que aponta para a importância de se prover uma qualidade de vida melhor para todos! Uma melhor saúde! Uma melhor família! Uma melhor formação! Uma melhor escola! Um melhor Brasil! Para que se minimize a infelicidade! Para que se minimize a desgraça!