A INTERNET É UM BICHO-PAPÃO?
Parece-me que a sociedade sempre teve necessidade de eleger um bicho-papão e o da
vez agora é a Internet.
Foi assim também com a TV. Os pais antigos debitaram à tv toda a precocidade infantil e toda a malcriação dos filhos. Debitaram a ela também o sexo antecipado e a queda da moral. Diziam que a novela tal deveria passar mais tarde porque tinha cenas de sexo ou tal programa humorístico deveria receber vetos pela ousadia do texto ou coisa que o valha. Hoje, “aliviou-se” a queixa contra a Tv. Encontrou-se outro bode expiatório: a Internet.
Dizem que a Internet é mais difícil de controlar porque fica no quarto dos filhos e não na sala da família, porque os filhos conhecem muito mais de Internet do que os próprios pais e porque a Internet abre a porta da casa ao mundo todo. Contatos com desconhecidos, vídeos e fotos, tudo é possível através dela. Novamente a pergunta: Onde fica a verdade de tudo isto? Onde fica o equilíbrio?
Na realidade, há um uso benéfico e um maléfico da Internet, mas, se formos ver, a meninada faz o uso benéfico: games, contatos com seus amigos, pesquisas escolares, música. Claro que, vez por outra, como já ocorreu, há o risco de estranhos fazerem contato com nossos filhos, expô-los a textos ou fotos pornográficos a até fazer- lhes propostas sexuais, mas, isto corresponde à metáfora do trigo e do joio. Não é pela existência do joio que o trigo deixa de florescer e produzir seu fruto que nos alimenta e sacia.
Por outro lado, outras teses mais antigas ainda falavam que televisão, computador, telefone celular,etc atrasavam o desenvolvimento infantil.
Diziam que as crianças não liam mais e só queriam videogames e, estes, nada tinham de bom, que os estudos estavam ficando para trás porque as crianças varavam madrugadas no computador, etc, etc.
Hoje, ao contrário do que apregoavam “os contra”, está provado que a tecnologia tem servido para deixar nossas crianças mais inteligentes e ágeis.
Estudos recentes têm avaliado o uso saudável da tecnologia como um fator positivo para crianças e adolescentes no sentido de um melhor processamento de informações, uma melhor capacidade dedutiva e lógica; enfim, um melhor raciocínio geral, em comparação com gerações anteriores criadas sem estes aparatos.
No livro: Surpreendente! A Televisão e o Videogame Nos Tornam Mais Inteligentes, o escritor americano Steven Johnson, defende a tese de que “embora o conteúdo do entretenimento, do modo geral, continue pífio, se comparado à informação fornecida pelos livros, a forma como este conteúdo é elaborado hoje puxa muito mais pela cabeça das crianças do que as diversões de antigamente. Os seriados de Tv e os filmes infanto-juvenis que antes tinham enredo simples e poucos personagens; agora trazem histórias elaboradas, cheias de tramas paralelas e com vários protagonistas. Os videogames apresentam uma série interminável de desafios ao jogador – para alcançar os objetivos do jogo, a criança é obrigada a todo instante a avaliar e organizar as informações disponíveis, priorizá-las e, baseadas nelas, tomar decisões estratégicas de curto ou longo prazo. Por esta ótica, continua o autor, a diversão hoje disponível para crianças e jovens, seria como uma ginástica para o cérebro”.
Os pesquisadores têm quantificado tudo isto objetivamente e atestam que o Q.I.médio das populações têm se elevado em todo o mundo.
Ademais, não é preciso ser pesquisador para notar isto. A frase: Estas crianças de hoje estão mais espertas é expressão corriqueira entre todos. Todos notamos a melhora na capacidade visual, na noção espacial, na coordenação motora, etc, desta meninada.
Indo para a área do emprego, também as empresas têm preferido funcionários que mostrem raciocínio lógico, iniciativa e praticidade nas decisões; qualidades que os videogames ajudam a desenvolver.
Também o sociólogo americano John Beck conclui em seu livro: Como a Geração Videogame esta Mudando o Mundo dos Negócios Para Sempre que “crianças que haviam jogado videogame intensamente durante a infância e adolescência mostravam mais iniciativa e mais disposição para assumir riscos do que as outras e eram mais ágeis ao definir objetivos e encontrar soluções para as dificuldades do dia a dia no escritório”.
Neste sentido, a Educação Moderna vem ajustando, sua Pedagogia e seu Agir, juntando ao ensino formal, que é insubstituível, este amplo arsenal tecnológico. À família, cabe o apoio à escola e a orientação às crianças sobre o uso seguro da Internet.
O estabelecimento de uma base sadia é o que vai estruturá-los fortes para saber dos perigos reais que sempre aparecem na vida de qualquer um de nós. Disto ninguém escapa. O mal e o bem são atinentes à vida.