sábado, 23 de abril de 2011

A Internet é um bicho-papão?

A INTERNET É UM BICHO-PAPÃO?


          Parece-me que a sociedade sempre teve necessidade de eleger um bicho-papão e o da
vez agora é a Internet.
          Foi assim também com a TV. Os pais antigos debitaram à tv toda a precocidade infantil e toda a malcriação dos filhos. Debitaram a ela também o sexo antecipado e a queda da moral. Diziam que a novela tal deveria passar mais tarde porque tinha cenas de sexo ou  tal programa humorístico deveria receber vetos pela ousadia do texto ou coisa que o valha. Hoje, “aliviou-se” a queixa contra a Tv. Encontrou-se outro bode expiatório: a Internet.
          Dizem que a Internet é mais difícil de controlar porque  fica no quarto dos filhos e não na sala da família, porque os filhos conhecem muito mais de Internet do que os próprios pais e porque a Internet abre a porta da casa ao mundo todo. Contatos com desconhecidos, vídeos e fotos, tudo é possível através dela. Novamente a pergunta:  Onde fica a verdade de tudo isto? Onde fica o equilíbrio?
          Na realidade, há um uso benéfico e um maléfico da Internet, mas, se formos ver, a meninada faz o uso benéfico: games, contatos com seus amigos, pesquisas escolares, música. Claro que, vez por outra, como já ocorreu, há o risco de estranhos fazerem contato com nossos filhos, expô-los a textos ou fotos pornográficos a até fazer- lhes propostas sexuais, mas, isto corresponde à metáfora do trigo e do joio. Não é pela existência do joio que o trigo deixa de florescer e produzir seu fruto que nos alimenta e sacia.
          Por outro lado, outras teses mais antigas ainda falavam que televisão, computador, telefone celular,etc atrasavam o desenvolvimento infantil.
          Diziam que as crianças não liam mais e só queriam videogames e, estes, nada tinham de bom, que os estudos estavam ficando para trás porque as crianças varavam madrugadas no computador, etc, etc.
          Hoje, ao contrário do que apregoavam “os contra”, está provado que a tecnologia tem servido para deixar nossas crianças mais inteligentes e ágeis.
          Estudos recentes têm avaliado o uso saudável da tecnologia como um fator positivo para crianças e adolescentes no sentido de um melhor processamento de informações, uma melhor capacidade dedutiva e lógica; enfim, um melhor raciocínio geral, em comparação com gerações anteriores criadas sem estes aparatos.
          No livro: Surpreendente! A Televisão e o Videogame Nos Tornam Mais Inteligentes, o escritor americano Steven Johnson, defende a tese de que “embora o conteúdo do entretenimento, do modo geral, continue pífio, se comparado à informação fornecida pelos livros, a forma como este conteúdo é elaborado hoje puxa muito mais pela cabeça das crianças do que as diversões de antigamente. Os seriados de Tv e os filmes infanto-juvenis que antes tinham enredo simples e poucos personagens; agora trazem histórias elaboradas, cheias de tramas paralelas e com vários protagonistas. Os videogames apresentam uma série interminável de desafios ao jogador – para alcançar os objetivos do jogo, a criança é obrigada a todo instante a avaliar e organizar as informações disponíveis, priorizá-las e, baseadas nelas, tomar decisões estratégicas de curto ou longo prazo. Por esta ótica, continua o autor, a diversão hoje disponível para crianças e jovens, seria como uma ginástica para o cérebro”.
Os pesquisadores têm quantificado tudo  isto objetivamente e atestam que o Q.I.médio das populações têm se elevado em todo o mundo.
          Ademais, não é preciso ser pesquisador para notar isto. A frase: Estas crianças de hoje estão mais espertas é expressão corriqueira entre todos. Todos notamos a melhora na capacidade visual, na noção espacial, na coordenação motora, etc, desta meninada.
          Indo para a área do emprego, também as empresas têm preferido funcionários que mostrem raciocínio lógico, iniciativa e praticidade nas decisões; qualidades que os videogames  ajudam a desenvolver.
          Também o sociólogo americano John Beck conclui em seu livro: Como a Geração Videogame esta Mudando o Mundo dos Negócios Para Sempre que “crianças que haviam jogado videogame intensamente durante a infância e adolescência mostravam mais iniciativa e mais disposição para assumir riscos do que as outras e eram mais ágeis ao definir objetivos e encontrar soluções para as dificuldades do dia a dia no escritório”.
          Neste sentido, a Educação Moderna vem ajustando, sua Pedagogia e seu Agir, juntando ao ensino formal, que é insubstituível, este amplo arsenal tecnológico. À família, cabe o apoio à escola e a orientação às crianças sobre o uso seguro da Internet.
 O estabelecimento de uma base sadia é o que vai estruturá-los fortes para saber dos perigos reais que sempre aparecem na vida de qualquer um de nós. Disto ninguém escapa. O mal e o bem são atinentes à vida.

segunda-feira, 18 de abril de 2011


                            SUPERLIGA E HOMOSSEXUALIDADE


          ONETE RAMOS SANTIAGO –PSICÓLOGA – CRP12/00507


          Gostei da resposta da torcida do Volei do Futuro da Superliga sobre o episódio havido com seu jogador Michael (parece-me) quando de um dos últimos jogos dos quais ele participou: muita roupa e adereços cor de rosa com seu nome; lá estavam muitos contra  o preconceito contra a homossexualidade.
          Gostei, sobretudo, porque a homossexualidade existe, é um fato humano e o homossexual, antes de tudo, é apenas um Ser Humano querendo viver, como qualquer Ser Humano.
          Gostei, sobretudo, porque ser homossexual é apenas uma faceta do Ser Pessoa de alguém; este alguém é também, e conjuntamente, um irmão amoroso, um filho, um amigo leal, um profissional, um aluno brilhante, um homem que sofre, que vive e labuta a sua vida, que é infeliz ou feliz; um ser vivente, enfim.
          Gostei, sobretudo, porque ninguém tem o direito de julgar ninguém e ninguém escolhe ser homo ou heterossexual. A homossexualidade e a heterossexualidade acontecem na NATUREZA; acontece no Reino Animal, dito Racional e dito Irracional como nossos bichinhos. Acontece com cachorros, gatos, nossos bichos da selva...
          E gostei, sobretudo, porque, naquele momento aquele ser humano estava se apresentando como o profissional que é, e, como tal, merecia respeito. Porque respeitava a todos e vivenciava o seu papel, simplesmente e naturalmente. Pontos para ele!
          Agora, Movimentos Gay de exposição acentuada e escrachada, no meu entender, depõem contra eles mesmos e só sobrevivem ainda porque, cada movimento inicial tem uma polaridade de força contrária. Uma pena!
          Mas, com o tempo, as coisas chegam ao seu centro justo, estável e equilibrado. O episódio da torcida de voley foi um bom exemplo disto.
  



sábado, 16 de abril de 2011

bullyng e esquizofrenia

BULLYNG E ESQUIZOFRENIA


ONETE RAMOS SANTIAGO –PSICÓLOGA - CRP 12/00507



O recente vídeo de Wellington de Oliveira divulgado pela imprensa e todo o histórico de vida apurado do infeliz moço que matou tantas crianças de uma escola carioca, falam e remetem ao bullyng sofrido por ele quando estudante.
As pessoas, percebo, estão em dúvida: o bullyng levaria  a estes comportamentos extremados?
Bom; o bullyng, ou quaisquer comportamentos agressivos nunca serão desejados, mas, não é por débito exclusivo do bullyng que uma pessoa vá sair por aí, matando inocentes. Houve, no caso, uma conjuntura infeliz de causas para que este resultado lamentável se apresentasse.
Os indícios todos apontam, principalmente, para uma grave deterioração de personalidade trazida pela esquizofrenia paranóide na qual as pessoas perdem o contato com a realidade e são vítimas de delírios e alucinações que os levam a atos extremados. Nos delírios, o esquizofrênico pensa que alguém o está perseguindo, que alguém está mandando ele fazer alguma coisa, que ele teria alguma missão a executar. Já na alucinação (mais grave), a pessoa não só pensa, mas, já vê aquela pessoa o perseguindo; ninguém mais ao seu redor está vendo, mas, ele aponta a pessoa: “ Ali, olhem, a pessoa está ali”.
Some-se a este quadro, uma pessoa que sofreu bullyng, que vivia sozinha, sem nenhum cuidado, que tinha antecedentes genéticos de distúrbios psiquiátricos e que tinha, ele próprio, distúrbios psiquiátricos graves.
Também, nem toda pessoa com distúrbios psiquiátricos graves vai ter  um comportamento assim extremado, como o que se viu pela televisão. O comportamento psicótico (assim como qualquer comportamento normal) é fruto de um conjunto emocional agregado, de um  enredo de vida com percalços, alegrias, tristezas, conflitos e frustrações, reforços positivos e negativos e de nossa genética e hereditariedade e de como decodificamos isto em nossos cérebros (mais saudáveis ou menos saudáveis)
No cérebro saudável e normal, com certeza, a pessoa passou e passa pelas cicatrizes que a vida ofereceu ou oferece; mas tem a capacidade de, de uma forma ou de outra, “curar” estas cicatrizes e tocar a sua vida. Já o cérebro doente não teria a capacidade de “cura” desta Criança Carente que todos temos.
Pelo contrário! O cérebro doente, por vezes, vai ficar mais doente ainda, fixado em algum modelo visto, paralisado em alguma idéia. É o que se chama surto, a grosso modo.
E o resultado, infelizmente, é este que testemunhamos, hoje. E que aponta para a importância de se prover uma qualidade de vida melhor para todos! Uma melhor saúde! Uma melhor família! Uma melhor formação! Uma melhor escola! Um melhor Brasil! Para que se minimize a infelicidade! Para que se minimize a desgraça!