sábado, 16 de abril de 2011

bullyng e esquizofrenia

BULLYNG E ESQUIZOFRENIA


ONETE RAMOS SANTIAGO –PSICÓLOGA - CRP 12/00507



O recente vídeo de Wellington de Oliveira divulgado pela imprensa e todo o histórico de vida apurado do infeliz moço que matou tantas crianças de uma escola carioca, falam e remetem ao bullyng sofrido por ele quando estudante.
As pessoas, percebo, estão em dúvida: o bullyng levaria  a estes comportamentos extremados?
Bom; o bullyng, ou quaisquer comportamentos agressivos nunca serão desejados, mas, não é por débito exclusivo do bullyng que uma pessoa vá sair por aí, matando inocentes. Houve, no caso, uma conjuntura infeliz de causas para que este resultado lamentável se apresentasse.
Os indícios todos apontam, principalmente, para uma grave deterioração de personalidade trazida pela esquizofrenia paranóide na qual as pessoas perdem o contato com a realidade e são vítimas de delírios e alucinações que os levam a atos extremados. Nos delírios, o esquizofrênico pensa que alguém o está perseguindo, que alguém está mandando ele fazer alguma coisa, que ele teria alguma missão a executar. Já na alucinação (mais grave), a pessoa não só pensa, mas, já vê aquela pessoa o perseguindo; ninguém mais ao seu redor está vendo, mas, ele aponta a pessoa: “ Ali, olhem, a pessoa está ali”.
Some-se a este quadro, uma pessoa que sofreu bullyng, que vivia sozinha, sem nenhum cuidado, que tinha antecedentes genéticos de distúrbios psiquiátricos e que tinha, ele próprio, distúrbios psiquiátricos graves.
Também, nem toda pessoa com distúrbios psiquiátricos graves vai ter  um comportamento assim extremado, como o que se viu pela televisão. O comportamento psicótico (assim como qualquer comportamento normal) é fruto de um conjunto emocional agregado, de um  enredo de vida com percalços, alegrias, tristezas, conflitos e frustrações, reforços positivos e negativos e de nossa genética e hereditariedade e de como decodificamos isto em nossos cérebros (mais saudáveis ou menos saudáveis)
No cérebro saudável e normal, com certeza, a pessoa passou e passa pelas cicatrizes que a vida ofereceu ou oferece; mas tem a capacidade de, de uma forma ou de outra, “curar” estas cicatrizes e tocar a sua vida. Já o cérebro doente não teria a capacidade de “cura” desta Criança Carente que todos temos.
Pelo contrário! O cérebro doente, por vezes, vai ficar mais doente ainda, fixado em algum modelo visto, paralisado em alguma idéia. É o que se chama surto, a grosso modo.
E o resultado, infelizmente, é este que testemunhamos, hoje. E que aponta para a importância de se prover uma qualidade de vida melhor para todos! Uma melhor saúde! Uma melhor família! Uma melhor formação! Uma melhor escola! Um melhor Brasil! Para que se minimize a infelicidade! Para que se minimize a desgraça!  






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