sábado, 30 de julho de 2011

A Preguiça Adolescente



ONETE RAMOS SANTIAGO - PSICÓLOGA – PALESTRANTE – ESCRITORA
TEL.32286612 – CRP12/00507


          Olhemos os bichos na selva e pensemos no homem primitivo – havia uma preguiça natural no mundo. Eles só se movimentavam para buscar comida, para fugir do perigo ou para a procriação. No mais, não queriam nem saber. Não havia culpa, não havia obrigação em fazer.
          Aí, corre o tempo e, entre nós, humanos, inventa-se o trabalho, a riqueza, a concorrência, o stress. E a preguiça, entre nós, passou a ser vista como pecado. Aí, tivemos que posar de pessoas ocupadíssimas, com medo de sermos vistos de escanteio.
          Parece-me que só quem não tem mesmo medo de mostrá-la (e ficam iguais aos bichinhos da selva) são os nossos adolescentes. Só querem dormir, escutar som, navegar na Internet, comer e namorar). Estão no princípio do prazer, que nem os bichinhos.
          No mais, tudo é chato. “Daqui a pouco, mãe! Já vou, já vou!” – até a mãe esquecer e acabar fazendo mesmo a tarefa em questão.
          A Ciência Atual explica esta preguiça por conta de mudanças hormonais e psicológicas próprias da adolescência. O sono e o comer excessivo, por exemplos, são por conta dos picos hormonais sexuais e de crescimento. Já as mudanças psicológicas – desmotivação pelas coisas da casa, a centralização em si mesmo e nos amigos ficam por conta do próprio conceito de adolescência que em si significa: independer-se, tornar-se maior, crescer. O adolescente se independe de seus pais e das coisas de seus pais e passam a ver os amigos, as namoradas, as baladas e todos os movimentos juvenis como suas motivações maiores. Não gostam e não tem energia para nada que é da casa; mas, para resolver uma festa é para já.
          Depoimentos adolescentes falam desta preguiça: “Deixo para ir ao banheiro só quando estou muuuuito apertado”. Ou: “Já deixei de assistir á Tv porque não queria procurar o controle remoto”. Outra diz: “Às vezes,fico com tanta preguiça que, mesmo se estiver com fome, espero meu irmão ir à cozinha para me trazer alguma coisa”. Ufa!
          Mas, é assim mesmo! Costumo dizer:  Pais! Usem a mão de obra infantil (quando eles adoram nos ajudar) porque, adolescentes ficam preguiçosos mesmo e nos deixam.
          No mais, só uma leve e compreensível intervenção para saber se tanta preguiça não está escondendo uma timidez ou uma insegurança fora do padrão que estejam prendendo o adolescente dentro de casa (ou alguma perda, término de um namoro, algum problema com sua auto-estima) e temos que deixar este período passar. Controlá-la um pouco; lógico, porque pais também não são empregados dos filhos, mas, se pouparem de pedir muito para não se frustrarem – é o remédio.





sexta-feira, 29 de julho de 2011

O FLAGELO DAS DROGAS

          A morte de Amy Winehouse traz á discussão,novamente, o flagelo das drogas.
          Sou testemunha profissional de quanta miséria humana as drogas provocam. Vejo, principalmente, as mães em busca de socorro para seus filhos; sem saber mais o que fazer; impotentes e infelizes, mostrando o quanto as drogas devastam não só seus usuários e dependentes, fazendo-os trapos humanos reduzidos, mas devastam toda uma família; pais e mães que se desestruturam junto e se desesperam com a visão de seus filhos, perdendo saúde física e mental, perdendo sua juventude e tempo, seus planos presentes e futuros e as economias( às vezes, precárias) da família inteira.
Uma pesquisa  da Fundação Osvaldo Cruz revela, atualmente, um milhão de viciados em crack no Brasil. Antigamente, restrito a grandes capitais com seus mendigos e moradores de rua, deitados em suas calçadas e em suas Cracolândias; hoje está espalhado praticamente em todos os recantos do país e em todas as classes.
Nos hospitais e clínicas de recuperação, os médicos  também testemunham esta escalada do mal entre as classes mais altas.
Os relatos de pais são aterradores: pais que recebem seus filhos depois de vários dias desaparecidos, totalmente rasgados, adoentados, machucados por brigas que a noite traz, prostituídos, muitas vezes. Droga, violência, sexo e prostituição, andam juntos. Sem dinheiro para a próxima tragada ou a próxima cheirada (crack é fumado, cocaína é aspirada) ; enlouquecidos por ela (há várias reações psicóticas no usuário) , o primeiro passo é o roubo ou o assalto para conseguir dinheiro para a compra. Primeiro roubam da família (roupas, objetos, jóias, dinheiro começam a sumir, sem explicação) ; depois passam mesmo para o roubo com assalto a mão armada ou a prostituição. E vão achando tudo natural.
E esta escalada se dá em pouco tempo. Vejo famílias completamente divididas entre dar dinheiro para seu filho para a compra ou não dar; por exemplo. Ou, pais que saem de casa, deixando a mãe sozinha com o problema e sem saber como “curar” aquele filho. Sentem muito medo, dor, culpa e vergonha. Medo de que se não der o dinheiro, o filho possa estar correndo risco de vida e se der, estar financiando a degradação. Perguntam-se onde erraram, sua vida se reduz pela dor que chega a ser física. Ademais, os irmãos  brigam entre si – alguns se apóiam e ajudam; outros, revoltados, se insurgem contra o usuário e os pais, desestabilizando mais ainda toda a família.
Depois, tem a internação; muitas vezes, forçada e contra a vontade do drogado; pais que vêm seus filhos serem imobilizados ou sedados para serem levados como criminosos porque a droga já danificou todo o senso de realidade e julgamento correto das coisas. As drogas já danificaram seu cérebro, não há mais responsabilidade, seu comportamento é agressivo e irresponsável e, sua saúde, muitas vezes, já está precária: doenças psiquiátricas, cardíacas e respiratórias são comuns pela agressão que a droga causa (rapidamente) ao pulmão, coração e cérebro.
E os pais se perguntam: “Onde está meu filho, onde está meu menino” –como já ouvi uma mãe a falar, desesperada, vendo aquele homem irreconhecível sendo levado ao hospital.