ONETE RAMOS SANTIAGO - PSICÓLOGA – PALESTRANTE – ESCRITORA
TEL.32286612 – CRP12/00507
Olhemos os bichos na selva e pensemos no homem primitivo – havia uma preguiça natural no mundo. Eles só se movimentavam para buscar comida, para fugir do perigo ou para a procriação. No mais, não queriam nem saber. Não havia culpa, não havia obrigação em fazer.
Aí, corre o tempo e, entre nós, humanos, inventa-se o trabalho, a riqueza, a concorrência, o stress. E a preguiça, entre nós, passou a ser vista como pecado. Aí, tivemos que posar de pessoas ocupadíssimas, com medo de sermos vistos de escanteio.
Parece-me que só quem não tem mesmo medo de mostrá-la (e ficam iguais aos bichinhos da selva) são os nossos adolescentes. Só querem dormir, escutar som, navegar na Internet, comer e namorar). Estão no princípio do prazer, que nem os bichinhos.
No mais, tudo é chato. “Daqui a pouco, mãe! Já vou, já vou!” – até a mãe esquecer e acabar fazendo mesmo a tarefa em questão.
A Ciência Atual explica esta preguiça por conta de mudanças hormonais e psicológicas próprias da adolescência. O sono e o comer excessivo, por exemplos, são por conta dos picos hormonais sexuais e de crescimento. Já as mudanças psicológicas – desmotivação pelas coisas da casa, a centralização em si mesmo e nos amigos ficam por conta do próprio conceito de adolescência que em si significa: independer-se, tornar-se maior, crescer. O adolescente se independe de seus pais e das coisas de seus pais e passam a ver os amigos, as namoradas, as baladas e todos os movimentos juvenis como suas motivações maiores. Não gostam e não tem energia para nada que é da casa; mas, para resolver uma festa é para já.
Depoimentos adolescentes falam desta preguiça: “Deixo para ir ao banheiro só quando estou muuuuito apertado”. Ou: “Já deixei de assistir á Tv porque não queria procurar o controle remoto”. Outra diz: “Às vezes,fico com tanta preguiça que, mesmo se estiver com fome, espero meu irmão ir à cozinha para me trazer alguma coisa”. Ufa!
Mas, é assim mesmo! Costumo dizer: Pais! Usem a mão de obra infantil (quando eles adoram nos ajudar) porque, adolescentes ficam preguiçosos mesmo e nos deixam.
No mais, só uma leve e compreensível intervenção para saber se tanta preguiça não está escondendo uma timidez ou uma insegurança fora do padrão que estejam prendendo o adolescente dentro de casa (ou alguma perda, término de um namoro, algum problema com sua auto-estima) e temos que deixar este período passar. Controlá-la um pouco; lógico, porque pais também não são empregados dos filhos, mas, se pouparem de pedir muito para não se frustrarem – é o remédio.