A morte de Amy Winehouse traz á discussão,novamente, o flagelo das drogas.
Sou testemunha profissional de quanta miséria humana as drogas provocam. Vejo, principalmente, as mães em busca de socorro para seus filhos; sem saber mais o que fazer; impotentes e infelizes, mostrando o quanto as drogas devastam não só seus usuários e dependentes, fazendo-os trapos humanos reduzidos, mas devastam toda uma família; pais e mães que se desestruturam junto e se desesperam com a visão de seus filhos, perdendo saúde física e mental, perdendo sua juventude e tempo, seus planos presentes e futuros e as economias( às vezes, precárias) da família inteira.
Uma pesquisa da Fundação Osvaldo Cruz revela, atualmente, um milhão de viciados em crack no Brasil. Antigamente, restrito a grandes capitais com seus mendigos e moradores de rua, deitados em suas calçadas e em suas Cracolândias; hoje está espalhado praticamente em todos os recantos do país e em todas as classes.
Nos hospitais e clínicas de recuperação, os médicos também testemunham esta escalada do mal entre as classes mais altas.
Os relatos de pais são aterradores: pais que recebem seus filhos depois de vários dias desaparecidos, totalmente rasgados, adoentados, machucados por brigas que a noite traz, prostituídos, muitas vezes. Droga, violência, sexo e prostituição, andam juntos. Sem dinheiro para a próxima tragada ou a próxima cheirada (crack é fumado, cocaína é aspirada) ; enlouquecidos por ela (há várias reações psicóticas no usuário) , o primeiro passo é o roubo ou o assalto para conseguir dinheiro para a compra. Primeiro roubam da família (roupas, objetos, jóias, dinheiro começam a sumir, sem explicação) ; depois passam mesmo para o roubo com assalto a mão armada ou a prostituição. E vão achando tudo natural.
E esta escalada se dá em pouco tempo. Vejo famílias completamente divididas entre dar dinheiro para seu filho para a compra ou não dar; por exemplo. Ou, pais que saem de casa, deixando a mãe sozinha com o problema e sem saber como “curar” aquele filho. Sentem muito medo, dor, culpa e vergonha. Medo de que se não der o dinheiro, o filho possa estar correndo risco de vida e se der, estar financiando a degradação. Perguntam-se onde erraram, sua vida se reduz pela dor que chega a ser física. Ademais, os irmãos brigam entre si – alguns se apóiam e ajudam; outros, revoltados, se insurgem contra o usuário e os pais, desestabilizando mais ainda toda a família.
Depois, tem a internação; muitas vezes, forçada e contra a vontade do drogado; pais que vêm seus filhos serem imobilizados ou sedados para serem levados como criminosos porque a droga já danificou todo o senso de realidade e julgamento correto das coisas. As drogas já danificaram seu cérebro, não há mais responsabilidade, seu comportamento é agressivo e irresponsável e, sua saúde, muitas vezes, já está precária: doenças psiquiátricas, cardíacas e respiratórias são comuns pela agressão que a droga causa (rapidamente) ao pulmão, coração e cérebro.
E os pais se perguntam: “Onde está meu filho, onde está meu menino” –como já ouvi uma mãe a falar, desesperada, vendo aquele homem irreconhecível sendo levado ao hospital.
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