A BIRRA E O CHILIQUE
Quando vamos a um shopping, por exemplo, vemos crianças e pais passeando e comprando e, volta e meia, algum pai passando mal para controlar seu querido rebento que, simplesmente, está no maior e mais alto berreiro_ é a birra ou chilique. Normalmente, os pais ficam envergonhados_ não querem constranger ninguém com barulhos excessivos; têm medo do julgamento dos outros_ “o que será que eles estão pensando” e, quase sempre cedem à vontade da criança, prometendo em casa algum castigo ou conversa séria. O 1º erro já aconteceu_ ter cedido. Nesta hora, ser firme é essencial; ainda mais se você está convicto realmente de seu Não; se seu Não é um Não Justo, costumo dizer. A criança precisa desde cedo ir se habituando com certas frustrações que fazem parte da lei da vida. Nesses momentos, os pais precisam ser firmes, não importa como a cena pareça aos olhos dos outros. Digo mais: Esta cena poderá ser constrangedora, mas, será uma única. Agora, pais que não controlam logo esses chiliques, são sérios candidatos a chiliques próprios e a família vira uma família de chilicosos. Quer dizer: a criança dominou a cena, instituiu o comportamento na família e as coisas estão feias.
É bom que os pais saibam que uma etapa de agressividade natural faz parte do desenvolvimento infantil entre os 2 e 3 anos de idade. É que a criança, na realidade, é igual a um bichinho_ quer estar o mais livre e solto possível e quaisquer limites apresentados, mexem com este instinto total para a liberdade que temos e que, infelizmente, a sociedade boicota ao homem para poder se organizar. O bebê, a nível de sensação corporal, sente assim: “Este mundo está ficando chato e, então, reage, surgindo, como falávamos, algum nível de agressividade.
É aqui que o treino precisa começar com dosagens certas. É preciso saber respeitar essa agressividade nata da criança e, ao mesmo tempo, prepará-la para o domínio dela, a um nível aceitável pelo outro ser vivente a seu lado (pai, mãe, vizinhos, amiguinhos)
Mas, o que fazer? A primeira medida é não se desesperar_ controle-se, não o deixe sentir que a birra é um elemento de poder dele sobre você. Outra coisa: Na hora não adianta discursos , explicações ou racionalizações sobre o fato. O ideal é ignorar a birra ou até permiti-la: Então, por exemplo, se a criança está chorando em altos brados, diga: “É isto que você quer-chorar?. Então pode chorar, chore mais, anda, mas você não vai ganhar o brinquedo porque agora não é hora de ganhá-lo”, por exemplo. Garanto: A criança assim provocada para logo de chorar.
Uma outra sugestão consiste em contê-la num abraço. A criança vai resistir no início, mas, o abraço firme e caloroso transmite-lhe a comunicação sub-textual de amor exigente, mas verdadeiro, que acalma a criança.
Terminando: Chiliques, então, fazem parte da infância e bem enfrentados, passam tranquilamente, elencando-se então, como uma fase do crescimento emocional da criança.