Os conflitos entre casais são vistos como negativos no olhar comum; no entanto, não existe um relacionamento de amor sem brigas. Quando amamos alguém, esperamos muito deste alguém, nós idealizamos o objeto de nosso amor e quando ele nos desaponta , vem a raiva que traz a briga como consequência. Porisso, costumo dizer que quando o casal não briga por mais nada, aí sim, é que está ruim. Ou quando brigam, brigam e acabam a briga mais magoados ainda_ o que sinaliza que o relacionamento já está desgastado. Não existe mais.
A briga do bem, pelo contrário, é sadia e construtiva. Abre espaço para cada um falar de seus sentimentos e expor seus pensamentos e sua percepção do problema para, no final, tirarem uma conclusão e uma vontade em rever posturas e ações para a melhora da relação. Ambos crescem.
A vida em comum oferece muitos motivos de conflitos. Afinal, por mais que haja identificação entre o casal, são duas pessoas de valores familiares diferentes, com suas manias, carências, expectativas, ilusões, fantasias e modo de encarar o mundo que, consequentemente, vão provocar algumas desavenças. Mas, sobretudo, é preciso preservar o respeito para a relação não perder o sentido e restar numa relação magoada e triste. Aí, a briga pode ser neurótica e perversa. É perversa também quando um dos parceiros ataca o outro justamente no seu ponto mais sensível, no sentido de fragilizá-lo, as vezes, utilizando-se de sutilezas e fraquezas confessadas num momento de entrega e confiança extremada. Isto é revoltante e o outro vai, para sempre, se fechar. Cuidado!
As desavenças devem ser colocadas , clara e amorosamente, sem subtextos ou meias palavras. As vezes, o casal briga por uma coisa, mas, esta coisa aparece camuflada. Mascarada. Por exemplo: determinado casal brigava porque a mãe da mulher continuava sendo uma pessoa muito presente na casa do casal. A esposa não decidia nada sem a “ordem” da mãe _ continuava sendo uma filha obediente, costumo dizer. O marido não gostava disto; desta presença indireta e tirânica da sogra em sua casa, mas, esta desavença aparecia por meio de portas batendo forte e cara amarrada. Na briga construtiva, o marido teria a coragem amorosa de sinalizar para a mulher o quanto ela ainda dependia do consentimento da mãe e a filha, assim despertada, teria condições de ver isto de frente, crescer e estar pronta para a independência. Mas, não! A briga com subtextos ( portas batendo) traz raivas, ressentimentos e solidão; mais necessidade a filha sente em se apegar ã mãe; mais dependência neurótica. Percebem!
Por outro lado, na briga sadia o outro propicia um tempo para o cônjuge crescer. É a sabedoria do sinalizar amorosamente e esperar que o outro elabore, chegue às suas conclusões e possa adotar aquilo como seu. Só pelo convencimento próprio é que internalizamos e adotamos ações diferentes. Temos que nos sentir autores; não repetidores, por coação ou medo, de quaisquer ações. Brigue sadiamente!
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